Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005

A Justiça é “influenciável”?

A esta simples questão, no sitio www.sapo.pt , responderam, até às 19.31h, de 31/10/05, 1257 cibernautas dos quais 93% afirmam que sim.
Não discutindo correcção e fiabilidade dos dados e da recolha parece-me ser este resultado perfeitamente elucidativo do sentimento geral dos portugueses. De facto quem não acha que este é um país de influências? Só quem seja sonhador, autista ou demagogo!
Basta ser cidadão português e com um pouco de sorte, se é que a isso se pode chamar sorte, conhecer um outro país e o que antes era senso comum passa agora a conhecimento objectivo.
Exemplifiquemos com uma realidade desconcertante mas muito presente ainda na nossa memória breve, as eleições autárquicas.
Nessa fase crucial da vida democrática do nosso país, existem sempre duas perspectivas: o antes e o depois, do dia das eleições claro!

ANTES

- Antes são admitidos muitos, talvez dezenas de funcionários para as Câmaras Municipais. Influências? Não! Apenas “serviço social” às comunidades cujos problemas sociais se agudizam nas semanas anteriores às eleições.
- Antes fazem-se obras. Muito antes? Não, só nos dias que antecedem o acto pois, de contrário, perder-se-ia o “impacto social” das medidas.
Influência? Claro que não!
- Antes as verbas para as associações, escolas, clubes não sofrem cortes. O pessoal reforça-se, nunca se reduz! Porquê? Porque são instituições demasiado importantes para uma sociedade desenvolvida.
Influências? Não, claro que não apenas uma política concertada de investimento estratégico nos concelhos.
- Antes temos as festas verdadeiramente tradicionais em que até dói o pescoço de tanto olhar para o céu iluminado por uns singelos 40 minutos de fogo de artifício. Influência? Não. Apenas se trata de mostrar como o nosso poder local é bom a poupar nos apoios, durante 3 anos, a escolas, bombeiros e outras instituições para mostrar serviço em minutos. O facto de os mesmos serem antes das eleições? Isso é coincidência!
- Antes oferecem-se electrodomésticos, garrafões de azeite, viagens de helicóptero e outras coisas tais com vista ao suprimento das necessidades mais básicas do povo.

DEPOIS

- Depois corta-se no pessoal. É preciso reduzir despesas e descobre-se a difícil situação financeira da autarquia e do país.
- Depois vem o período de estio nos estaleiros de obra com vista à planificação de novas iniciativas e projectos.
- Depois, claro que depois é necessário cortar as verbas para as escolas, cortar na limpeza, no material pedagógico, no mobiliário e outras coisas tais pois o dinheiro não se evaporou mas muito dele estoirou nos céus para gáudio de todos quantos amam tal arte que move o verdadeiro desenvolvimento das sociedades modernas.
- Depois, é necessário cortar despesas supérfluas como as do pessoal que, fora das competências autárquicas, presta serviço aos almoços, aos prolongamentos e outros tais, em escolas da República.
- Depois, depois não se limpam matas, não se alugam helicópteros para ajudar o poder central a combater as chamas e muito menos se apoiam as associações de olivicultores.

Influências? Claro que não! Este nem é um país disso. Apenas se rege pelos mais elevados padrões de qualidade, objectividade, honestidade pessoal e política assim como pelos valores de um verdadeiro regime republicano.
Sejamos realistas!
publicado por politicar às 20:44
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